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O que é isto?
Comentários cotidianos
 

Sempre Clarice

Clarice Lispector é uma das minhas autoras prediletas. Tenho o seu livro - Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres - como um dos que considero meus livros de cabeceira. O outro é Mulheres que correm com os Lobos de Clarissa Pinkola Estés .

Achei nas minhas releituras cotidianas um trecho que fala sobre o escrever que para mim, nesse momento, é perfeito:

Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra - a entrelinha - morde a isca, alguma coisa se escreveu. Uma vez que se pescou a entrelinha, poder-se-ia com alívio jogar a palavra fora. Mas aí cessa a analogia: a não-palavra, ao morder a isca, incorporou-a. O que salva então é escrever distraidamente.

Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada.

Clarice Lispector - Água Viva - 1980



 Escrito por Elenara Leitão às 15h46 [] [envie esta mensagem]



CAMILLE CLAUDEL -

 
SERES EXEMPLARES

Sempre se lembre que a pele se enruga......
o cabelo se torna branco, os dias se transformam em anos...
Mas o importante não muda...
Tua força e tua segurança não têm idade.
Teu espírito é o espanador de qualquer teia de aranha......
Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida......
Atrás de cada engano, há outro desafío...   
Enquanto estiveres viva, sinta-se viva...
Se fizestes algo diferente, volte a fazê-lo...
Não vivas de fotos amareladas...
Segue em frente ainda que todos esperem que desistas....
Não deixes que se oxide o ferro que existe em ti. ......
Faz que, em vez de pena, tenham respeito por ti.....
Quando, devido à idade não possas correr, ande depressa......
Quando não possas andar depressa, caminha.......
Quando não possas caminhar, usa a bengala.....
Mas não pares nunca... ! 


 Escrito por Elenara Leitão às 11h32 [] [envie esta mensagem]



Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)

Acordar

 

(...)

 

Eu adoro todas as coisas 
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite. 
Tenho pela vida um interesse ávido 
Que busca compreendê-la sentindo-a muito. 
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo, 
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas, 
Para aumentar com isso a minha personalidade. 
 
Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio 
E a minha ambição era trazer o universo ao colo 
Como uma criança a quem a ama beija. 
Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras, 
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo 
Do que as que vi ou verei. 
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações. 
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos. 
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca. 

 

Essa bela poesia é em homenagem a um guerreiro que se foi. Não comunguei com muitas de suas posições, nunca votei no político que foi, mas presto minha homenagem ao homem que sonhou e lutou pela sua paixão.



 Escrito por Elenara Leitão às 11h10 [] [envie esta mensagem]



Beijos

Dos beijos guardados / tantos !

aos beijos ansiados / talvez mais ainda...

Qual deles o melhor ?

O mais marcante ?

O primeiro, por ser desconhecido...

A boca alheia a ser descoberta,

Um senso de busca e receio,

Espera, terreno recém descoberto

e tateado com cuidado de artesão...

O da descoberta de uma paixão ?

Beijo que se descobre premente, urgente

Desavergonhado até.

Beijo de entrega e desafio.

Beijo molhado, desejado...

Mas pensando bem, de todos os beijos,

o mais delicado,

o beijo carinhoso que se descobre sempre presente

o beijo que fala de cumplicidade

um beijo de puro respeito pela descoberta

do amor sempre renovado,

que não precisa de falsa sedução nem de fetiches

para se transformar em todos os beijos beijados...

esse é o beijo que enche a alma,

renova a vida

e faz tudo ficar magicamente verdadeiro....



 Escrito por Elenara Leitão às 15h58 [] [envie esta mensagem]



Sozinhez e solidão

Dias há em que tudo parece bem, mas não se tem vontade de falar muito a respeito. O tempo lá fora é bonito. Dia de outono, com sol e sem vento. A temperatura, apesar de fria, é gostosa. O rendimento, se não é excepcional, é bom e o dia não passou em vão. E se não fiz tudo o que teria vontade, fiz um pouco do que deveria. O que já é muito bom.

A felicidade cotidiana não precisa ser feita de momentos apoteóticos. A felicidade pode ser serena e amável. E pode ser feita de momentos de “sozinhez”.

Sozinhez é diferente da solidão apenas por uma questão de semântica. Solidão parece coisa ruim. Coisa de gente que não tem companhia por falta de opção. Sozinhez é mais delicado. É escolha ou aceitação de que existem momentos em que somos nós a nossa melhor companhia.



 Escrito por Elenara Leitão às 13h36 [] [envie esta mensagem]



Sol, luz e energia

Aqui pelo sul do país estamos vivendo dias de muito frio. Por um lado isso é gostoso porque podemos nos aconchegar, tomar um bom vinho tinto gaúcho - que faz bem à saúde e ao espírito. Por outro lado, os gastos com energia se tornam maiores, onerando o nosso bolso e a capacidade de geração de energia do país.

Por isso me lembrei de compartilhar um site muito legal. A Ong SOCIEDADE DO SOL que desenvolve um projeto de aquecedor solar de baixo custo. É o projeto ASBC que merece ser conhecido. Esta foi uma dica do grande amigo arquiteto Oscar Muller.



 Escrito por Elenara Leitão às 14h09 [] [envie esta mensagem]



Poesia e namorados

Namorados falam outra linguagem, não a de todo dia. Falam uma linguagem mais iluminada, mais próxima porque permite - e deseja- invasões. Namorados estão acima das mediocridades, estão em outro universo. Talvez paralelo, talvez inconstante, mas bonito, e no qual todos desejamos estar de vez em quando. 



 Escrito por Elenara Leitão às 13h02 [] [envie esta mensagem]



Talvez seja amor

  

Talvez Seja Amor:Gabriel Garcia Marquez

G
osto de ti não somente pelo que és,
mas pelo que sou quando estou contigo...
Gosto de ti não apenas pelo que consegue de ti mesmo
como também pelo que consegues de mim.
Por essa parte de mim que revelas
porque pousando os olhos sobre os meus cheios de coisas,

desprezas  todas frívolas e graça
que  entretanto não podes deixar de entrever
e sublinhar de luz todas belas
e radiantes qualidades que ninguém mais
indo bastante ao íntimo soube ver.
Gosto de ti  por ignorares que sou capaz de ser insensata
e só querer saber que sou capaz de ser alguém....
Gosto de ti  por fechares ouvidos às minhas dissonâncias

e aumentares a harmonia que há em mim
ouvindo-me com benevolência.
Gosto de ti  porque me ajudas
a amar a estrutura da minha vida
não me taverna
não me censura.
Gosto de ti  porque fizestes mais do que
qualquer crença seria capaz de fazer
por me tornar feliz.......
Talvez seja amor.



 Escrito por Elenara Leitão às 12h59 [] [envie esta mensagem]



Saudade

Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já ....
Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos machuca, é não ver o futuro que nos convida ...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam, é a dor dos que ficaram para trás, é o gosto de morte na boca dos que continuam. Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade :  aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos : não ter por que sentir saudade, passar pela vida e não viver.  O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
E disso, meus amigos, eu não posso ser acusado : Vivi, sofri, me apaixonei por tudo o que a vida me ofereceu !!
Confesso que vivi !!
(Pablo Neruda)



 Escrito por Elenara Leitão às 12h54 [] [envie esta mensagem]



Sobre o ato de criar

A criação necessita de um estado de espírito muito peculiar.

Não sei definir com exatidão, mas não é em absoluto aquele estado de pura objetividade, nem aquele de muita languidez. Criar exige sintonia corpo-mente, um despojamento que muitas vezes é difícil de alcançar no dia a dia. É como se uma centelha ligasse o motor e a máquina engrenasse em um estado de Holos com a Vida. Criar em dias em que não se atinge esse apogeu não é impossível. Mas exige mais método, mais disciplina e quase sempre não é tão divertido.

 Falta o estado da brincadeira.



 Escrito por Elenara Leitão às 13h20 [] [envie esta mensagem]




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