Meu vulcão, tu me indagas,
minha mais interna explosão.
Minha danação.
Onde está, onde se esconde,
essa febre de paixão,
essa coisa meia louca, meia suja,
essa parte minha que te assusta.
Te fascina.
Onde meu consolo, meu grito,
meu tapa na tua cara,
meu desaforo, palavrão,
minha vida mais inteira, meu próprio coração ?
E eu te respondo, calma e ordeira,
que estão onde sempre estiveram.
Na parte mais minha, na parte mais crua,
A mais secreta. Sem proteção.
Aquela que te alucina, misteriosa e distante,
e aquela que te devora. E esperas. E reclamas.
E chamas e tentas decifrar.
Até lá, meu olhar de Mona Lisa te guarda,
te leva, te faz delirar.
Essa era eu, de alguns anos atrás, quando conseguia me expressar em forma de poesia. É obvio que estava apaixonada e é mais obvio que ainda não tinha me descoberto como hoje me sei. Mas confesso uma grande nostalgia dessa mulher mais buscante, mais procurante que ficou perdida dentro daquela que hoje sou.